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TRF4 reconhece tempo especial por exposição a hidrocarbonetos e permite reafirmação da DER para aposentadoria

Processo nº 5005XXX-XX.2021.4.04.XXXX · Rel. DIENYFFER BRUM DE MORAES FONTES
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📌 Em resumo

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu que um trabalhador tem direito à aposentadoria especial, reconhecendo um período em que ele esteve exposto a hidrocarbonetos, substâncias químicas nocivas. A decisão destaca que, para agentes cancerígenos, como os óleos minerais, a proteção individual (EPI) não anula o direito. Além disso, o Tribunal permitiu que o trabalhador atualizasse a data de seu pedido de aposentadoria (DER) para incluir esse tempo especial, o que pode garantir um benefício melhor.

⚖️ Tese Jurídica

É devida a aposentadoria especial por exposição a hidrocarbonetos, agentes químicos cancerígenos, independentemente da avaliação quantitativa ou da eficácia do EPI, sendo possível a reafirmação da DER.

Temas

Direito PrevidenciárioAtividade EspecialHidrocarbonetosAgentes CancerígenosReafirmação da DERCerceamento de Defesa

Dispositivos

IN 77/2015, art. 278, § 1º, INR-15, Anexo 13Decreto nº 3.048/99, art. 68, § 4ºPortaria Interministerial MTE/MS/MPS nº 09/2014 (LINACH, Grupo 1)STJ (Tema 534)

📖 O que diz a lei

Art. 68 do Decreto nº 3.048/99

Este artigo diz que, para alguém ter direito à aposentadoria especial, os agentes nocivos (químicos, físicos ou biológicos) aos quais a pessoa foi exposta devem estar listados em um anexo específico deste mesmo decreto. No caso, a discussão é se os hidrocarbonetos se encaixam nessa lista para justificar a aposentadoria especial.

Ver o texto da lei

A relação dos agentes químicos, físicos, biológicos, e da associação desses agentes, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, é aquela constante do Anexo IV.

Tema 534 do STJ

Este tema é uma decisão importante do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que serve de orientação obrigatória para os outros tribunais. Ele foi invocado neste caso para apoiar o reconhecimento de que um período de trabalho pode ser considerado especial devido à exposição habitual e permanente a agentes nocivos.

Anexo 13 da NR-15

A NR-15 é uma norma do Ministério do Trabalho que estabelece limites e condições para atividades consideradas insalubres. O Anexo 13 trata especificamente da exposição a agentes químicos, como os hidrocarbonetos, e foi usado para avaliar se o trabalho do segurado era considerado especial por essa exposição.

Portaria Interministerial nº 09/2014 (LINACH)

Esta Portaria é um documento conjunto de vários ministérios que estabelece a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (LINACH). No caso, ela foi importante para confirmar que os hidrocarbonetos aos quais o trabalhador foi exposto são considerados agentes cancerígenos, o que reforça o direito à aposentadoria especial.

Art. 68, § 4º, do Decreto nº 3.048/99

Este parágrafo do decreto trata de como a exposição a agentes nocivos deve ser avaliada para fins de aposentadoria especial. Ele é relevante para o caso porque a decisão considerou que o benefício pode ser concedido mesmo que não haja uma medição exata da quantidade de hidrocarbonetos ou que o equipamento de proteção individual (EPI) não seja totalmente eficaz contra agentes cancerígenos.

Explicação em linguagem simples — não substitui orientação de um advogado.

📖 Resumo técnico

O TRF4 reconheceu a especialidade de período laboral por exposição a hidrocarbonetos, mesmo com ruído abaixo do limite e EPI ineficaz para agentes cancerígenos. Afastou cerceamento de defesa e permitiu a reafirmação da DER, reformando a sentença para conceder o benefício previdenciário.

📚 Inteiro teor Documento oficial

RESULTADO DO JULGAMENTO: Provido

DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. RECONHECIMENTO DE ATIVIDADE ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DA DER. RECURSO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME:1. Apelação cível interposta pela parte autora contra sentença que, em ação previdenciária, negou o reconhecimento de atividade especial no período de 17/01/2008 a 19/07/2013 e outros pedidos.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO:2. Há quatro questões em discussão: (i) a ocorrência de cerceamento de defesa pela negativa de produção de prova pericial; (ii) o reconhecimento da especialidade do período de 17/01/2008 a 19/07/2013 por exposição a hidrocarbonetos e ruído; (iii) a possibilidade de reafirmação da DER; e (iv) a distribuição dos ônus de sucumbência.

III. RAZÕES DE DECIDIR:3. A preliminar de cerceamento de defesa é afastada, pois o conjunto probatório já existente nos autos, como formulários e laudos, é considerado suficiente para demonstrar as condições de trabalho, não justificando a reabertura da instrução processual para complementação de prova pericial.4. A especialidade do período de 17/01/2008 a 19/07/2013 é reconhecida. A jurisprudência consolidada do TRF4 e o STJ (Tema 534) admitem o reconhecimento da especialidade por exposição habitual e permanente a hidrocarbonetos, agentes químicos nocivos à saúde, sem necessidade de avaliação quantitativa (IN 77/2015, art. 278, § 1º, I c/c Anexo 13 da NR-15). Em se tratando de agentes cancerígenos, como os óleos minerais (Grupo 1 da LINACH, Portaria Interministerial MTE/MS/MPS nº 09/2014), a eficácia do EPI é irrelevante (Decreto nº 3.048/99, art. 68, § 4º). No caso concreto, o PPP do autor descreve a atuação na montagem e revisão de calçados na indústria calçadista, e um laudo pericial de processo similar confirmou a exposição a hidrocarbonetos aromáticos, substâncias intrínsecas ao processo de fabricação de calçados. Embora a exposição a ruído (78 a 82 dB(A)) estivesse abaixo do limite legal de 85 dB para o período, a especialidade é reconhecida pelos hidrocarbonetos.5. É reconhecido o direito à reafirmação da DER, a ser verificada na fase de cumprimento de sentença, conforme a tese firmada pelo STJ no Tema 995/STJ, que permite a reafirmação da Data de Entrada do Requerimento para o momento de implementação dos requisitos do benefício, mesmo que isso ocorra após o ajuizamento da ação.

IV. DISPOSITIVO E TESE:6. Apelação do autor provida.Tese de julgamento:

7. O reconhecimento da atividade especial na indústria calçadista é possível pela exposição habitual e permanente a hidrocarbonetos aromáticos, mesmo sem avaliação quantitativa, sendo irrelevante a eficácia do EPI para agentes cancerígenos.

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia Central Digital de Auxílio 2 do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, dar provimento à apelação do autor, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia Central Digital de Auxílio 2 do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, dar provimento à apelação do autor, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

📊 Como os tribunais decidem casos parecidos

Entre 12 decisões semelhantes neste acervo:

Panorama deste acervo — não é previsão do resultado do seu caso.

⚖️ O que costuma pesar em casos assim

✅ Costuma ser acolhido

  • A exposição a hidrocarbonetos ou outros agentes químicos cancerígenos costuma ser reconhecida.
  • A exposição a ruído acima dos limites legais é frequentemente aceita.
  • Laudos técnicos antigos podem ser válidos se as condições de trabalho não mudaram.
  • A ineficácia do Equipamento de Proteção Individual (EPI) não impede o reconhecimento da exposição a agentes nocivos.
  • Negar uma perícia quando há dúvidas importantes sobre a exposição é considerado um erro processual.

❌ Costuma ser rejeitado

  • A simples atividade de frentista exposto a hidrocarbonetos não garante o reconhecimento automático.
  • Apenas circular em ambiente hospitalar, sem contato direto com riscos, não é suficiente para o reconhecimento.
  • Não é um erro dispensar novos laudos se os existentes já são claros e negam a condição especial.
  • Mesmo com exposição a ruído, a aposentadoria pode ser negada se a comprovação da exposição for fraca ou ineficaz.

Padrões observados nos casos semelhantes deste acervo — cada processo é único.

❓ Perguntas frequentes

O que essa decisão decidiu?

Essa decisão do TRF4 reconheceu que um período de trabalho com exposição a hidrocarbonetos é considerado especial para fins de aposentadoria, mesmo que o ruído estivesse abaixo do limite e o EPI não fosse eficaz para agentes cancerígenos. Também permitiu que o trabalhador atualizasse a data de seu pedido de aposentadoria.

Quem entrou no processo?

O processo foi iniciado por um segurado do INSS, que buscava o reconhecimento de tempo de serviço especial para sua aposentadoria.

Como o tribunal decidiu?

O TRF4 deu provimento ao recurso do trabalhador, reformando a sentença inicial. Ele reconheceu o período especial e a possibilidade de reafirmação da DER, garantindo o direito à aposentadoria especial.

Que leis foram aplicadas?

Foram aplicadas normas como a IN 77/2015 e o Decreto nº 3.048/99, que tratam do reconhecimento de atividade especial, além de jurisprudência do STJ (Tema 534) sobre a irrelevância do EPI para agentes cancerígenos.

O que isso significa pra quem está em situação parecida?

Se você trabalhou exposto a hidrocarbonetos ou outros agentes químicos cancerígenos, mesmo com EPI, essa decisão reforça seu direito à aposentadoria especial. Além disso, você pode ter o direito de 'reafirmar a DER', ou seja, atualizar a data do seu pedido de aposentadoria para incluir períodos de trabalho que foram reconhecidos posteriormente.

Fonte oficial: TRF4 — Central Digital de Auxílio 2 — ementa e inteiro teor reproduzidos das bases públicas do tribunal.Resumo, tese, resumo técnico e perguntas: elaborados por Inteligência Artificial com base na ementa e no acórdão oficiais.